quarta-feira, 14 de março de 2012

Catequese

                             Inciaremos um post diferente, no qual será feita uma pergunta sobre aspectos da Igreja Católica, embasados no catecismo da igreja Católica, você pode responder no comentário, na outra semana será respondida essa pergunta e feita outra, esperamos poder ajudar na formação catequética bem como no conhecimento de nossa Igreja.

Pergunta: Por que a Igreja celebra a liturgia frequentemente?



PAI ausente



A convivência humana contém muitas zonas de fricção, que dão a impressão de incompletude ou até de haver um erro grosseiro a ser corrigido. Hoje refiro-me à menor comunidade humana, onde as pessoas estão muito próximas: a família. A era moderna aperfeiçoou conceitos de séculos passados. E esse novo modo de pensar, entre avanços e recuos, refletiu primeiro sobre a criança. Ao contemplar os bebês, o salmista exclama: “Tu os fizeste um pouco menor que um deus” (Sl 8, 6).A pedagogia fez progressos notáveis, melhorando a compreensão desse ser em formação (e não o homúnculo de séculos anteriores). 

A nova maneira de entender essa criatura que desabrocha ficou muito bem expressa no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Entrementes veio uma longa temporada para entender com mais perfeição esse elo fundamental que é  a mulher. O feminismo, bem entendido, foi origem de grandes progressos, que fez entender melhor os segredos que o Criador escondeu nos refolhos dessa grande alma. Hoje ela é entendida não só como mãe, mas também como mulher. Houve melhorias, sem deixar de ter havido também alguns recuos de corte materialista, que trouxeram prejuízos para a família.

Ainda não chegamos ao varão. O masculino está na pior, e o silêncio sobre ele é um fracasso. Seu prestígio está lamentável.  Tudo o que de negativo se pode imaginar, lhe é atribuído: opressor, quer ser servido, não se responsabiliza, dispensável...Esquece-lo é um erro ciclópico. Na lógica da família ele é importante, para dar equilíbrio e segurança.

Diante dos filhos ele não é um simples amigo. Ele é pai. A paternidade dá um toque de autoridade e um desafio para alargar os horizontes na direção do mundo. Sem a presença paterna a família se vê aterrorizada diante do mundo ameaçador. Ele rompe o aconchego da intimidade familiar, para mostrar que o mundo é maior do que o círculo afetivo da comunidade primordial.

Hoje vemos que os assaltos, os roubos, os assassinatos e invasões de domicílio aumentam em proporção geométrica. Isso acontece, com certeza, porque falta religião. Mas sobretudo porque essas levas de malfeitores não tiveram um pai, que lhes ensinasse os limites que a vida impõe. Não tiveram alguém que representasse a lei, a reta ordem e a segurança. 



Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
Fonte: http://www.catequisar.com.br/texto/colunas/roque/n05.htm

terça-feira, 6 de março de 2012

O sentido do jejum e da oração



Antes de ser um fenômeno cristão, a oração é um fenômeno antropológico, isto é, todos os homens, de uma forma ou de outra, rezam, sentem a necessidade de se relacionar com Deus, de buscar o transcendente. O diálogo com Deus ocupa, certamente, o primeiro lugar para quem se decide dar-se a uma vida interior intensa. Deus se doa a quem, totalmente e sem reserva, a Ele se doa.

A vida interior é uma vida de oração. Cada um deve encontrar tempo para estar com o Senhor em íntima comunhão e diálogo de amizade. Sem a vivência dos valores espirituais e evangélicos, não é possível ter conhecimento experiencial de Deus.

Qualquer pessoa que queira desenvolver a sua vida espiritual deve todos os dias encontrar o tempo suficiente para dedicar-se a determinados atos de oração.

Os estudiosos afirmam que nunca foi encontrado um povo sem religião, sem celebrações e sem divindade. Isso nos mostra como, em cada um, está presente a necessidade de, em determinados momentos, recorrer ao Senhor.

Na Bíblia, não encontramos nenhuma definição de oração, mas situações descritivas de homens e de mulheres que rezam. No entanto, ao longo dos séculos, muitos santos, teólogos, místicos procuraram dar uma definição deste misterioso e vivo diálogo com Deus. Santa Teresinha nos oferece uma explicação: “Para mim, a oração é um impulso do coração, é um simples olhar lançado para o céu, um grito de reconhecimento e amor, no meio da provação ou no meio da alegria”.

Nunca devemos nos esquecer de que a oração, mais do que esforço pessoal ou iniciativa humana, é um dom gratuito de Deus. E, sendo Deus amor, inicia o diálogo, procura-nos. Como bem disse São João da Cruz, “Se é verdade que o homem procura a Deus, ainda mais é verdade que Deus procura o homem.”

A Quaresma é um tempo especial em que a Igreja nos convida à prática do jejum e da oração, a fim de que nós possamos nos preparar integralmente para reviver a vitória sobre a morte que Cristo veio trazer para toda a humanidade.

Pela oração, tornamo-nos mais próximos de Deus, conversamos com Ele, pedimos, agradecemos, mas também aprendemos a escutar. Escutamos Deus através do nosso exame de consciência, através de nossas orações e através da análise dos acontecimentos.

A prática do jejum nos torna donos de nós mesmos, pelo domínio da força de vontade. Quando jejuamos, vencemos a vontade de comer, muitas vezes por gula, e nosso organismo agradece e se desintoxica.

Pensadores, estudiosos, médicos sugerem que o jejum “lava” o organismo. Jesus jejuou porque o jejum o tornou mais forte e mais próximo do Pai.

Oração e jejum são, pois, ferramentas indispensáveis, de uma maneira intensa, na Quaresma, mas necessárias também durante toda a nossa vida.


Por: DOM EURICO DOS SANTOS VELOSO ARCEBISPO EMÉRITO DE JUIZ DE FORA, MG.
Fonte:http://www.catequisar.com.br/texto/colunas/eurico/n09.htm