Bem, é fato que todos nós cristãos somos chamados a sermos missionários de Cristo. A prova disto esta nas varias passagens dos Evangelhos onde somos chamados a “trabalhar na messe do Senhor”, a sermos “pescadores de homens” e a levarmos sua palavra a todas as criaturas. Em sua Exortação Apostólica CHRISTIFIDELES LAICI (Vocação e Missão dos Leigos na Igreja e no Mundo) o Papa João Paulo II, inicia nos falando sobre a parábola dos trabalhadores chamados a vinha, onde “O Reino dos Céus é semelhante a um proprietário, que saiu muito cedo, a contratar trabalhadores para a sua vinha. Ajustou com eles um denário por dia e mandou-os para a vinha” (cf. Mt13, 8), o que João Paulo II queria nos mostrar é que somos chamados a sermos missionários. Desde nossa concepção somos escolhidos por Deus para levarmos a boa nova a todos àqueles que precisarem. A vinha, nada mais é do que o mundo e nós somos os trabalhadores.
Por excelência o próprio Cristo foi um missionário, pois se colocou a caminhar levando a todos a boa nova do Reino de Deus. O convite de Jesus
“Ide vós também para a minha vinha”
se estende até os nossos dias. São Gregório Magno dizia “Considerai o vosso modo de viver, caríssimos irmãos, e vede se já sois trabalhadores do Senhor. Cada qual avalie o que faz e veja se trabalha na vinha do Senhor”. Todos nós somos trabalhadores e ao mesmo tempo fazemos parte da vinha (Jo 15,5), para isso basta que cada um de nós, com a consciência de cristãos, assumamos o nosso papel de batizados e membros do corpo de Cristo que é a Igreja.
Atendendo a este chamado a trabalhar na vinha do Senhor é que no ano de 2010 me senti impelido a doar-me intensamente ao serviço na vinha do Senhor, e acabei vivenciando momentos de alegria e extrema dor junto às famílias ribeirinhas e índios do Amazonas. Quando cheguei à cidade de Porto Velho logo me veio o medo, que foi aumentando cada vez mais, eu era uma pessoa estranha num lugar mais estranho ainda, lembro de ter pensado em entrar ônibus e voltar, me considerava um louco, não tinha um conhecido na cidade e não sabia o que seria de mim, tinha apenas um contato de um padre missionário que logo me reconheceu graças a cruz que carrego no peito. Ele foi muito simpático e me mostrou um pouco da realidade do local, fiquei abismado com tantas necessidades que existiam ali, porém maravilhado com a forca de vontade de todos os cristãos que ali viviam e lutavam por uma realidade mais digna para aquele povo. Meus momentos na cidade foram curtos, pois logo nos pusemos a caminho dos mais carentes, viajamos cerca de dezesseis horas em barcos que tinham capacidade para levar setenta pessoas, mais que iam com duzentas, todas amontoadas em redes, alem de nós o barco levava, gasolina, animais, tijolo, alimentos, etc. as pessoas fumavam sem o menor medo de explodirem os barcos, havia muitas jovens se prostituindo e famílias que vinham a nós pedindo bênçãos. Logo quando cheguei ao distrito Calama (uma ilha no meio do rio Madeira) não conseguia dormir, pois o calor era muito forte, trocava de roupas cinco vezes ao dia, e tomava inúmeros banhos, quem dera aqueles fossem os reais problemas, duro foi quando saímos as outras comunidades, onde pude ver como fazem falta trabalhadores empenhados na evangelização, em levar a Palavra a aqueles que realmente precisam, havia lugares onde não tinham missa a dez anos, perguntei como eles faziam para manter sua fé viva, e uma senhora me respondeu “rezando o terço meu filho”, aquilo me encheu de coragem e desde então vivo minha vida dedicada a missão que o Pai me enviou, e não pensem que não levei em conta as semanas que passei de cama com febre de 40 graus, as inúmeras diarréias, entre outras tantas coisas que vivenciei por lá, mais uma coisa eu guardei e nunca esquecerei: Se quero servir a Cristo, devo servir ao meu irmão sem limites. Ser missionário é muito mais que fazer uma simples visita, é doar sua vida inteiramente, é vivenciar cada dor, alegria, solidão e esperança que este povo traz, é ser “um com eles”, assim como nosso Senhor Jesus Cristo foi um conosco, ao ponto de derramar todo o seu sangue por nós, para nos salvar.
“Evangelizar é a graça e a vocação própria da Igreja, a sua identidade mais profunda”
(Paulo VI).
E como membros desta Igreja é nosso papel sermos protagonistas neste chamado que se não cessa até os dias de hoje. Lembrando o que disse Jesus “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura... Eis que estou convosco todos os dias até o fim do mundo” ( cf. Mt 16,15; cf. Mt 28,20).
Que neste mês missionário o desejo de se doar a Vinha do Senhor brote em nossos corações com mais força e que a Virgem Maria nos ajude a suportamos todos as dores necessárias para bem servirmos a Cristo nesta caminhada rumo ao Céu.
Deus os abençoe, e que a Virgem do Rocio interceda por todos nós.
Amém.
Seminarista Wigno Paulo dos Santos
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